Feminicídio no Brasil: um alerta que também ecoa na Paraíba

Texto autoral do site Último Minuto Paraíba, produzido a partir de análise jornalística de dados públicos e contextualização própria da coluna Voz da Mulher.
O Brasil terminou 2025 diante de um dado que não pode ser tratado como estatística fria: 1.470 feminicídios registrados ao longo do ano, o maior número desde que o crime passou a ser tipificado, em 2015. São, em média, quatro mulheres assassinadas por dia em razão do gênero — um retrato duro de uma violência que persiste e se aprofunda.
Mesmo esses números não mostram toda a realidade. Estados ainda enfrentam falhas de registro e classificação, o que faz com que parte dos crimes seja enquadrada apenas como homicídio. Especialistas alertam que o feminicídio no Brasil segue subnotificado, e que o cenário real é ainda mais grave.
Uma violência que cresce ao longo dos anos
Em uma década, os casos de feminicídio cresceram 316%, saltando de 535 registros em 2015 para os atuais 1.470. Ao todo, mais de 13 mil mulheres foram mortas nesse período pelo simples fato de serem mulheres. São vidas interrompidas, famílias desestruturadas e crianças que crescem marcadas pela perda e pelo trauma.
Embora os maiores números absolutos estejam concentrados em estados como São Paulo e Minas Gerais, a violência contra a mulher não respeita fronteiras regionais. Ela atravessa capitais, cidades do interior e comunidades menores — e a Paraíba não está imune a essa realidade.
Antes do feminicídio, outras violências
Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam que o aumento dos feminicídios caminha lado a lado com o crescimento de outros crimes contra mulheres, como perseguições, agressões físicas e ameaças constantes. Muitas vezes, esses episódios são sinais claros de risco que não recebem resposta rápida do poder público.
Ignorar essas etapas é permitir que a violência escale até o desfecho mais extremo. Por isso, prevenção, acolhimento e proteção precisam ser tratados como prioridade permanente.
Lei mais dura, desafio maior
Em 2025, o Brasil avançou ao endurecer as penas para o crime de feminicídio, que agora podem chegar a 40 anos de prisão, especialmente quando envolvem gestantes, crianças, idosos ou quando ocorrem na presença de familiares da vítima. O reforço legal é importante, mas não suficiente.
Sem políticas públicas efetivas, rede de proteção funcionando e mudança cultural, a lei sozinha não consegue salvar vidas.
A Voz da Mulher não se cala
Na coluna Voz da Mulher, do Último Minuto Paraíba- Feito por Elas, o compromisso é claro: dar visibilidade, contextualizar os dados e reforçar que cada número representa uma história real. Falar sobre feminicídio não é exagero, nem pauta secundária — é responsabilidade social.
Enquanto mulheres continuarem morrendo por serem mulheres, a informação seguirá sendo ferramenta de alerta, cobrança e conscientização. Silenciar nunca foi opção.
Conteúdo autoral do Último Minuto Paraíba. Reprodução permitida apenas com citação da fonte.




