Brasil

Do avanço das doenças crônicas à resposta do Estado

Foto: Walterson Rosa/MS

Os dados mais recentes do Vigitel 2025 escancaram um desafio estrutural para o sistema de saúde brasileiro. Em menos de duas décadas, o número de adultos com diabetes cresceu 135%, enquanto obesidade, hipertensão e excesso de peso seguem em trajetória ascendente. O retrato não se limita a estatísticas: ele revela a pressão crescente sobre o Sistema Único de Saúde (SUS) e a urgência de políticas públicas orientadas à prevenção.

A resposta do Ministério da Saúde veio com o lançamento da estratégia Viva Mais Brasil, uma iniciativa que busca reposicionar o foco da política de saúde, deslocando o eixo da lógica curativa para a promoção da qualidade de vida. Com investimento previsto de R$ 340 milhões, o programa articula ações voltadas à atividade física, alimentação saudável e cuidado integral, integrando políticas já existentes.

A retomada do programa Academia da Saúde, com aporte inicial de R$ 40 milhões ainda em 2026, simboliza esse reposicionamento. Ao vincular espaços de prática esportiva às unidades básicas de saúde, o governo aposta na redução de fatores de risco e no fortalecimento da atenção primária como porta de entrada efetiva do SUS.

Outro dado relevante do Vigitel é a mudança no padrão de atividade física da população. Embora tenha aumentado a prática de exercícios no tempo livre, houve queda na atividade física relacionada ao deslocamento urbano, indicando desafios que extrapolam a saúde e dialogam com políticas de mobilidade e planejamento urbano. Pela primeira vez, o levantamento também incorporou indicadores sobre sono, revelando índices elevados de privação e insônia, especialmente entre mulheres.

No campo da gestão, o Ministério da Saúde estabeleceu novos indicadores de qualidade para a Atenção Primária, com impacto direto no financiamento municipal. A possibilidade de ampliar em até 30% os repasses federais condiciona recursos à melhoria do acompanhamento de doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, reforçando o papel estratégico dos municípios na execução das políticas.

A estratégia Viva Mais Brasil sinaliza, portanto, uma tentativa de resposta sistêmica a um problema estrutural. Mais do que um programa, o movimento expõe o desafio permanente de alinhar financiamento, gestão e mudança de comportamento da população em um país que envelhece e convive com o avanço acelerado das doenças crônicas não transmissíveis.

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo