António José Seguro é eleito presidente de Portugal em meio ao avanço da extrema direita

Foto: Divulgação
Eleito neste domingo, António José Seguro será o novo presidente de Portugal a partir de março. Ex-secretário-geral do Partido Socialista (PS), ele assume o cargo em um cenário de instabilidade política interna e de crescimento da direita radical, representada pelo partido Chega.
Seguro venceu o segundo turno com 66,8% dos votos, derrotando André Ventura, líder do Chega, que obteve 33,2%. A campanha de Ventura foi marcada por um discurso duro contra a imigração, ataques a minorias — como a comunidade cigana — e críticas constantes às elites políticas tradicionais.
Figura associada ao campo centrista da esquerda, Seguro só recebeu apoio formal do PS quando a campanha já estava avançada. No segundo turno, contou também com o respaldo de setores da direita e da centro-direita, que se uniram em torno de um objetivo comum: conter o avanço do Chega e preservar a estabilidade democrática.
A vitória expressiva de Seguro, que somou 3,48 milhões de votos, a maior votação já registrada por um presidente no país, reforça a escolha do eleitorado pela moderação. Ainda assim, o resultado também confirma o fortalecimento da extrema direita em Portugal. Ventura ampliou significativamente sua base eleitoral em relação às eleições legislativas e declarou, após reconhecer a derrota, que o Chega “lidera a direita” e pretende governar o país no futuro.
Para especialistas, o resultado envia sinais claros. De um lado, a vitória de Seguro aponta para a preferência da maioria dos portugueses por uma agenda democrática e institucional. De outro, o desempenho do Chega evidencia tensões sociais latentes, especialmente em torno do tema da imigração.
“Para as comunidades imigrantes, é uma notícia positiva, pois mostra a escolha pela moderação e pela tolerância”, avalia a pesquisadora brasileira Joana Ricarte, da Universidade de Coimbra, que estuda o avanço de narrativas extremistas na Europa.
Ao assumir a Presidência, António José Seguro terá como desafio central equilibrar a estabilidade institucional diante de um Parlamento fragmentado e de uma direita radical em ascensão — um cenário que coloca Portugal no centro do debate europeu sobre democracia, populismo e convivência social.




