Eleições 2026

Desinformação e IA ampliam desafio das eleições de 2026

O avanço acelerado da inteligência artificial, somado à mudança de postura das grandes plataformas digitais, deve tornar o combate à desinformação nas eleições de 2026 mais complexo do que em pleitos anteriores. O alerta é de organizações que integram o Programa Permanente de Enfrentamento à Desinformação, criado em 2021 pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Especialistas apontam que redes sociais encerraram ferramentas de transparência, alteraram políticas internas e passaram a se posicionar contra regulações que impõem obrigações às plataformas. O movimento dificulta o monitoramento da circulação de conteúdos enganosos e reduz a capacidade de resposta das instituições.

Entre os principais impactos está o fim de instrumentos usados por pesquisadores e jornalistas para acompanhar a disseminação de publicações. A Meta, por exemplo, encerrou o CrowdTangle, substituído por uma ferramenta considerada mais restritiva. Já o X (antigo Twitter) passou a cobrar pelo acesso à sua API, inviabilizando estudos independentes sobre desinformação.

Além disso, a inteligência artificial surge como um novo fator de risco. Ferramentas generativas permitem a criação de textos, imagens, vídeos e áudios com aparência profissional e baixo custo, facilitando a produção de conteúdos falsos ou manipulados com potencial de influenciar o debate público.

Embora o TSE determine que conteúdos produzidos com uso de IA sejam identificados, especialistas avaliam que a fiscalização ainda é limitada. O julgamento do artigo 19 do Marco Civil da Internet pelo Supremo Tribunal Federal ampliou a possibilidade de responsabilização das plataformas, mas manteve os conteúdos eleitorais sob a competência da Justiça Eleitoral.

Durante o pleito de 2026, o TSE será presidido pelo ministro Kássio Nunes Marques, responsável por definir as prioridades do tribunal. As resoluções preliminares já proíbem o uso de deepfakes e de conteúdos fabricados ou manipulados para disseminar mentiras, mas ainda estão em fase de discussão.

Para pesquisadores e organizações da sociedade civil, a combinação entre menor transparência das plataformas e uso crescente da inteligência artificial faz da eleição de 2026 um dos maiores desafios recentes para a democracia brasileira.

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