Entre São Paulo e 2026, Tarcísio administra tempo e alianças

O cancelamento de última hora da visita do governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos) ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) expôs, mais uma vez, os ajustes internos do bolsonarismo diante do calendário eleitoral que se aproxima. Longe de ser interpretado apenas como um conflito de compromissos, o gesto foi entendido como uma escolha estratégica.
Nos bastidores, a avaliação é de que Tarcísio busca evitar envolvimento direto em debates nacionais neste momento, sobretudo aqueles ligados à sucessão presidencial. A manutenção de uma postura mais reservada reduz o risco de pressões políticas e preserva espaço de negociação futura, sem romper pontes com o ex-presidente ou com o PL.
O governador tem reiterado, de forma direta ou indireta, que seu foco está na reeleição em São Paulo. O controle do maior colégio eleitoral do país segue sendo peça central para qualquer articulação da direita em 2026, o que torna sua posição especialmente sensível.
O episódio revela um padrão que tende a se repetir nos próximos meses: lideranças estaduais com alto capital eleitoral buscam administrar a herança política de Bolsonaro enquanto constroem projetos próprios. Em um ambiente ainda aberto e volátil, cautela, cálculo e timing seguem ditando os movimentos.




