O tabuleiro da sucessão na Paraíba começa a se fechar

A sucessão ao Governo da Paraíba em 2026 tende a ser uma das mais complexas e competitivas dos últimos ciclos eleitorais. Diferentemente de pleitos anteriores, o cenário aponta para uma disputa tripolarizada, com forças relativamente equilibradas e alto grau de imprevisibilidade, condicionada sobretudo à formação de alianças e ao comportamento do eleitorado nos grandes centros urbanos.
Com mais de 3,2 milhões de eleitores aptos, segundo o TRE-PB, o Estado elegerá, além do governador, dois senadores, 12 deputados federais e 36 estaduais. Esse conjunto amplia o peso das chapas proporcionais e transforma a eleição majoritária em eixo organizador de todo o sistema político-partidário.
No campo governista, o vice-governador Lucas Ribeiro (PP) surge como candidato natural à sucessão, especialmente se João Azevêdo optar por disputar o Senado. Caso isso se confirme, Lucas poderá concorrer já no exercício do cargo, condição que historicamente oferece vantagens competitivas, como maior visibilidade institucional, capilaridade administrativa e capacidade de articulação política. Ainda assim, seu desafio central será transformar herança política em densidade eleitoral própria.
Na oposição, o nome mais consolidado até o momento é o do prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (MDB). Líder nas pesquisas preliminares, Cícero reúne ativos estratégicos relevantes: governa o maior colégio eleitoral do Estado, possui recall elevado e apresenta baixa taxa de rejeição em comparação com outros pré-candidatos. Sua trajetória extensa funciona tanto como vantagem — pela experiência — quanto como risco, ao exigir um discurso capaz de dialogar com um eleitorado que demanda renovação e resultados concretos.
Já o senador Efraim Filho (União Brasil) ocupa um espaço ideológico distinto, posicionando-se como representante do campo conservador e da direita na Paraíba. Sua viabilidade eleitoral estará diretamente ligada à performance nacional desse segmento em 2026. Caso o bolsonarismo mantenha capacidade de mobilização, Efraim pode consolidar um eleitorado fiel e competitivo, especialmente fora da Capital, com potencial de forçar um segundo turno.
Do ponto de vista técnico, a eleição será decidida menos por nomes isolados e mais pela engenharia das alianças. O peso de João Pessoa e Campina Grande, a transferência de votos entre majoritária e proporcional e a capacidade de construção de palanques regionais serão fatores determinantes. Em um cenário de três candidaturas fortes, qualquer erro de estratégia pode ser fatal.
A sucessão paraibana está longe de definida. Mas uma certeza já se impõe: 2026 não será uma eleição de conforto para ninguém. Será uma disputa de posicionamento, narrativa, estrutura e, sobretudo, leitura correta do eleitor.




