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Crise econômica, sanções e tensão política: o que está por trás do agravamento da situação no Irã

O Irã atravessa um dos períodos mais delicados de sua história recente, marcado por instabilidade econômica, isolamento internacional e crescente pressão interna. A crise atual é resultado da combinação de sanções externas, conflitos geopolíticos e fragilidades estruturais do regime político iraniano.

As dificuldades se intensificaram a partir de 2018, quando os Estados Unidos se retiraram do acordo internacional que limitava o programa nuclear do país e restabeleceram sanções econômicas severas. A política voltou a ser adotada com força máxima após o retorno de Donald Trump à presidência norte-americana, em janeiro de 2025, reacendendo a estratégia de pressão sobre Teerã.

Além das sanções impostas por Washington, o Irã também passou a enfrentar restrições aprovadas pela Organização das Nações Unidas, o que levou o governo a promover reuniões emergenciais para tentar evitar um colapso financeiro. O cenário foi agravado pelos confrontos com Israel, em junho, quando alvos ligados ao programa nuclear iraniano foram atingidos em operações atribuídas a forças israelenses e norte-americanas.

Inflação, desvalorização e insatisfação social

No campo econômico, os reflexos são sentidos diretamente pela população. A inflação ultrapassa 40% ao ano, corroendo o poder de compra e ampliando a desigualdade social. A moeda local, o rial, sofreu uma forte desvalorização e perdeu cerca de metade do seu valor frente ao dólar apenas em 2025, alcançando níveis históricos mínimos.

O enfraquecimento da economia levou à renúncia do presidente do Banco Central iraniano no fim de dezembro. Segundo a imprensa local, medidas recentes de liberalização contribuíram para pressionar ainda mais o câmbio, aprofundando a instabilidade financeira.

Esse contexto tem alimentado o descontentamento popular, especialmente entre os jovens, que denunciam a concentração de riqueza, a corrupção e a falta de perspectivas econômicas. Protestos se tornaram mais frequentes nos últimos anos e vêm sendo duramente reprimidos pelo regime.

Regime político sob pressão

Desde a Revolução Islâmica de 1979, o Irã é governado como uma república teocrática, onde o poder máximo está concentrado nas mãos do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, no cargo há mais de três décadas. O regime enfrenta críticas recorrentes da comunidade internacional por violações de direitos humanos e restrições às liberdades individuais.

A soma entre crise econômica, repressão política e isolamento externo cria um ambiente de tensão permanente, com reflexos diretos na estabilidade do país e na segurança regional.

Relação com o Brasil e impacto das tarifas dos EUA

O endurecimento da política externa norte-americana também afeta países que mantêm relações comerciais com o Irã, como o Brasil. Em 2025, os Estados Unidos ampliaram tarifas sobre produtos brasileiros dentro da chamada política de tarifas recíprocas.

Em abril, foi aplicada uma taxa adicional de 10%, seguida por um aumento de 40% em julho, elevando a alíquota total para 50%. Apesar disso, uma série de exceções foi mantida, preservando setores estratégicos como energia, aeronáutica, fertilizantes e parte do agronegócio.

Em novembro, após negociações diretas entre Donald Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os EUA reduziram a taxação sobre novos produtos brasileiros, incluindo café, carnes e frutas, sinalizando um ajuste pragmático na relação bilateral.

Um cenário em movimento

A crise no Irã segue como um dos principais focos de instabilidade no cenário internacional. As decisões tomadas por Washington, somadas às tensões regionais e aos desafios internos do regime iraniano, continuam a moldar um contexto de incertezas que extrapola fronteiras e afeta diretamente o comércio global e as relações diplomáticas.

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